AO TRABALHO

 

O cavalo, personagem da fazenda tomada pelos animais no livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell, sempre que ouvia uma reclamação dos demais acerca da falta de alimentos e tratamento digno por parte dos governantes (também animais), só dia: Vamos trabalhar mais, então! Nunca considerou a ideia de revoltar-se contra o sistema, até que esse o mandou para a fábrica de salsichas, por julgá-lo imprestável para o trabalho.

Não sou, ou pelo menos não pretendo ser, o cavalo da história, mas entendo que, passadas as eleições, só nos cabe trabalhar mais, não só para garantir nossa própria manutenção, mas também para o crescimento do país. Isso não significa que não possamos reclamar desse ou daquele resultado, mas tudo tem limite.

Tem gente pregando o fim do mundo, enquanto outros acham que o resultado foi obra de Deus, e que Ele abençoa os eleitos. Muita calma nessa hora! Nem tudo ao céu, nem tudo à terra. Eu também tenho cá meus medos, mas não a ponto de me paralisar.

Sei que existem pessoas que dependem mais das atitudes do governo, e que mesmo eu sofrerei com as más escolhas ou me beneficiarei com os acertos, mas não é o caso de pregar revoluções, golpes ou conspirações amalucadas, porque, mais que o resultado das eleições, estas ideias só nos prejudicam.

Não está tudo errado, mesmo que nem tudo esteja certo. Não concordamos com tudo, mas é neurose achar que só o nosso candidato salvaria o país. Não quero ser ingênuo, até porque não tenho mais idade para isso, mas acredito na boa fé dos eleitos, de qualquer partido.

Apesar das dificuldades, as instituições funcionam, e não há clima para golpes, esses sim destruidores da democracia.

Incomoda-me a incompetência gerencial, mas eu fico louco mesmo é com a corrupção, endêmica em nosso país. Mas, como sabemos, onde há corruptos também há corruptores. Os primeiros no seio dos governos e os segundos entre nós!

Vamos acreditar que dará certo, que os eleitos estão bem intencionados, que não são os demônios que alguns pintam, mas não nos enganemos, pois não existem anjos, ao menos na Terra.

O Brasil é muito grande e muito forte para ser salvo ou destruído por uns e outros, e nós somos um povo com pelo menos 500 anos de existência, sem contar os milhares de anos em que o país foi habitado pelos índios, que construíram uma sociedade bem interessante.

Assim, os perdedores devem refletir sobre seus erros, e os vencedores não devem se convencer que são os tais, pois não são.

Como não tenho poder real de mudar a sociedade, só me resta trabalhar, e muito. Como um cavalo!

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