FÊNIX

FÊNIX

 

         Na mitologia grega encontramos a fênix, que seria um pássaro que “quando morria, entrava em autocombustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas. Outra característica da fênix é sua força que a faz transportar em voo cargas muito pesadas, havendo lendas nas quais chega a carregar elefantes”.

A fênix é o símbolo do renascimento depois de uma tragédia, em que o ser, utilizando-se de poderes mágicos ou muita força de vontade, volta à vida, com muito mais brilho, mais inteligência, maior consciência de suas limitações e dos riscos, em suma, muito melhor do que era antes de morrer.

Nós somos a fênix, uma ave linda, graciosa, forte e inteligente que sofreu uma morte horrível, dolorida, sentida e acachapante, mas que renascerá das cinzas do incêndio mais forte, mais brilhosa, muito mais solidária.

Será um renascimento lento e dolorido, choraremos muito ainda, mas venceremos. Não digo isso por ufanismo, mas porque nos últimos dias tivemos inúmeros exemplos de superação, solidariedade, união e desejo de vencer, por mais machucados que estivéssemos. Nunca imaginei que veria as cenas que ocorreram nas ruas, nas praças, nas igrejas, nas escolas, de gente abraçada com estranhos, um consolando o outro, todos unidos na mesma dor e na mesma vontade de superá-la.

Santa Maria e região são maiores que a tragédia. Somos uma cidade multifacetada, habitada por pessoas de todas as partes do Estado e do país, que pareciam não ter nada que as ligasse, o que a tragédia se encarregou de desmentir. Nós caímos em um abismo de dor, mas tivemos e teremos forças para nos reerguermos, porque somos fortes. Afinal, somos gaúchos, aguerridos e bravos. Podem nos derrubar, mas somos teimosos, podem nos atingir, mas não podem matar nosso espírito. Podem matar nosso corpo, mas nossa alma viverá, para sempre.

Violeta Parra dizia que só pedia a Deus que a dor, a injustiça, a miséria e a guerra não lhe fossem indiferentes, e nós pedimos que morte não nos seja indiferente. Ela existe e nos visitou dias atrás, mas há vida nesta terra, e nós vamos defendê-la no limite de nossas forças.

E, novamente usando a grande compositora chilena, que vivam os estudantes. Os que morreram renascerão nos que sobreviveram e em seus colegas, como uma fênix de asas de prata, luminosas como o sol das manhãs da Boca do Monte.

Eu acredito!

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