ROLEZINHO NO SHOPPING: OS PERIGOS DA RADICALIZAÇÃO

 

O Brasil tem se notabilizado, nos últimos tempos, pela radicalização de posições políticas e sociais, fruto, sem dúvida, de décadas de omissão e silêncio.

Ou seja, sai de uma posição de comodismo e parte para outra de participação política e social desenfreada, como um foguete sem sistema de direção.

Ante a violência crescente e aparentemente sem controle por parte do Estado, advogamos a tese burra de que “bandido bom é bandido morto”, sem nos preocuparmos em saber quem decide quem é bandido e quem é do bem. Assim, parecendo bandido, pau nele. Se não for, azar dele.

Ante a participação cada vez mais comum de adolescentes em crimes bárbaros, advogamos a redução da idade penal e colocamos todo mundo na cadeia. Simples, não? Afinal, temos cadeias para todos e estas sempre foram a solução mágica para todos os problemas sociais. Isso não interessa, desde que consigamos manter quem cometeu crime, ao menos por algum tempo, preso. E depois? Quem está preocupado com isso?

Agora, com a história dos “rolezinhos no shopping” abre-se uma discussão facilmente vencida por aqueles que advogam a ideia de proibir o ingresso de todo e qualquer jovem com cara e jeito de pobre, ou seja, com roupa de loja popular e cabelo ruim. Com isso, evitam-se eventuais problemas sem necessitar de grande esforço mental.

É evidente que não é aconselhável que se organizem visitas coletivas com duzentas ou trezentas pessoas que não se conhecem apenas para “assustar” os comerciantes e demonstrar que todos tem direito de ingresso no shopping. Cansamos de ver pequenos grupos, de cinco ou seis jovens que flagrantemente são pobres, passeando, assistindo filmes, tomando um refrigerante na praça de alimentação e namorando. Não somos ingênuos para não observar olhares de preconceito, mas não passa disso. Incompreensível mas suportável.

Mas, infelizmente, sempre tem um idiota que resolve, a exemplo do que aconteceu nas manifestações de rua do ano passado, quebrar uma vitrine de loja e furtar um celular. Daí, como aquele que organizou o passeio não tem controle nenhum do grupo, a coisa degringola, e em vez de um ladrão, todos são vistos como ladrões.

Assim, não é aconselhável organizar este tipo de visita em grandes grupos, mas é menos aconselhável ainda passar a olhar todo jovem pobre como marginal.

Muita calma nessa hora.

Todos somos cidadãos, pouco importa se a nossa roupa é importada ou se compramos o “boné de marca” na banquinha da esquina.

A violência de quem quebra é igual à violência de quem discrimina.

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1 comentário

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Uma resposta para “ROLEZINHO NO SHOPPING: OS PERIGOS DA RADICALIZAÇÃO

  1. lauro

    Que nunca se confunda,liberdade com libertinagem.

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