AOS MESTRES, COM DESPREZO

O filme Ao mestre, com carinho, da década de 1960, nos dá uma ideia das dificuldades enfrentadas pelos professores em todas as épocas, desde a falta de condições de trabalho, da falta de respeito dos alunos até salários absurdamente reduzidos.

Lembro-me de quando eu era criança, cerca de 50 anos atrás, alguns  homens diziam, como brincadeira com um fundo de verdade, que não precisavam trabalhar porque eram casados com uma professora.

Passado meio século, essa afirmação seria recebida como uma provocação à briga, pois não tem graça nenhuma brincar com o fato de que os professores lutam, ano após ano, para que lhes seja reconhecido a importância mediante uma remuneração justa, mas só recebem o desprezo dos governantes, de todas as matizes.

Uns dizem que os professores deviam encarar a profissão como uma missão e esquecer esta bobagem de ficar fazendo greve por melhores salários, pois isto é coisa de operário, não de intelectuais. Certo, pois afinal os intelectuais não comem, não pagam aluguel, não precisam de atendimento médico nem de atualização de conhecimento. Deus provê tudo para quem acredita em sua profissão, seus mercenários!

Outros reclamam que não é justo que se exija o pagamento de um piso nacional de salário sem indicar de onde sairão os recursos. Eles fazem de conta que não sabem que quem apresentou o projeto para criação do Piso Nacional de Salário é exatamente seu chefe, que hoje alega não ter condições de pagá-lo. Certo, afinal, pimenta nos olhos dos outros é refresco.

A chefe da nação afirma, com a maior cara de paisagem, que devemos valorizar o professor. Não diz como e fico imaginando que é passando a mão na cabeça burra deles e homenageando-os com palavras vazias uma vez por ano. Afinal, palavras bonitas enchem barriga!

Certa vez alguém me disse que não podia me perder como professor porque eu era uma referência. Quase chorei, o que não fiz porque o salário que me pagavam não me permitiria comprar os lenços para secar as lágrimas. Ou seja, me contratam como uma referência e me pagam como um Zé Mané!

Ouvi outro dia alguém dizer que os professores são heróis, o que é grave, pois deveriam ser pessoas comuns, fazendo coisas comuns e recebendo o que merecem: respeito.

Quanto a mim, posso receber minha cota de heroísmo em minha conta bancária?

Não homenageiem os professores, paguem-nos adequadamente que eles e nós ficaremos felizes.

O resto é conversa pra boi dormir.

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