ÍDOLOS

 

           Num país como o nosso, coalhado de corrutos e ladrões, encontráveis em todos os jornais e esquinas das cidades, há uma necessidade desesperada de idolatrar alguém, amar alguém, admirar alguém, e estes são poucos.

Quando surgem, transformam-se em heróis imediatos, aparecem em todos os programas de televisão e capas de jornais de grande circulação, passando a servir de exemplo para todos e esperança de redenção.

O risco desta desesperada busca por ídolos é que esqueçamos que eles são como nós: com algumas qualidades e muito mais defeitos que queremos admitir. Afinal, não vieram de outro planeta, mas do meio de nós.

Isso ocorre na política, no futebol, na música e em todas as áreas, forçando o ídolo a ser aquilo que achamos que ele é, e não o que ele é efetivamente.

O ídolo, idealizado por nós, sente-se na obrigação de ser perfeito, justo, correto e adequado à figura que nós desenhamos, mas nem sempre ele se está bem nesse papel e se rebela, sendo o contrário, ou seja, mau, sujo e incorreto. Daí, nosso mundo cai.

Nenhuma área é mais sensível do que a dos jogadores de futebol, esporte que domina o país e faz nascerem ídolos imediatos e vilões irrecuperáveis. Em geral os jogadores de futebol vêm de classes sociais economicamente deprimidas e nem sempre estão preparados psicologicamente para a fama imediata. Assim como sobem meteoricamente, descem.

O cara faz um gol ontológico, digno de fazer parte do Museu do Futebol e, logo em seguida, quebra a perna do adversário e é expulso, prejudicando o clube e sendo alvo da ira da torcida: irresponsável.

A bola vem, toda torta, mas o craque dá uma bicicleta perfeita e gol, gol, gol. Incrível, é um gênio. No minuto seguinte fica de cara com o goleiro, sendo que o zagueiro adversário está a cinco metros de distância, totalmente batido. Seguro que vai fazer o segundo gol, o craque de um minuto atrás faz uma firula e chuta: a bola sai por cima da goleira, uns cinco metros de altura. Palhaço, perna de pau, morto de fome!

Por isso, eu proponho: ídolo deve ser preservado, deixando-o fora do jogo, para que não faça besteira e destrua a imagem maravilhosa que temos dele.

Não é justo, mas é o mais sensato

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