EU SOU GAÚCHO?

 

         Eu não tenho dúvidas que sou gaúcho, mas alguns acham que não. Nos festejos da Semana Farroupilha a gente vê se multiplicar as manifestações de gauchismo, como bota, bombacha, lenço, músicas nativistas, emoção no olhar ao cantar o Hino Rio-Grandense. Uma linda festa!

         Não uso bombacha, aliás, nunca tive uma, botas ou lenço de pescoço! Sou sócio muito relaxado de um Centro de Tradições Gaúchas, aonde vou uma vez por ano, pago minha anuidade direitinho, mas não passo disto.

         Mas, que diabo, eu nasci no Rio Grande do Sul, apesar de nunca ter morado em local que se poderia chamar de rural, montei a cavalo umas duas vezes. A meu favor posso dizer que não dispenso o chimarrão, todos os dias, pela manhã e pela tarde.

         De qualquer forma, eu trabalho, do meu jeito, para preservar as tradições, através da música que ouço todo dia, do amor que sinto pelo Rio Grande do Sul, pela emoção que manifesto, sinceramente, quando ouço ou canto nosso Hino.

         Tenho lido tudo que se escreve acerca da história gaúcha, das lutas, das origens, das dificuldades financeiras de ontem e de hoje.

         Amigos de outros Estados da Federação dizem que eu falo com sotaque gaúcho, mas acho que eles estão querendo apenas me agradar.

         Como disse minha filha, sou um “gaúcho de carpete”, de sala com ar condicionado, antenado na internet e nas redes sociais, mas sou gaúcho.

         Sou gaúcho porque sinto o Rio Grande do Sul, porque penso, ridiculamente emocionado, que nós somos diferentes de outros brasileiros, lutando sinceramente para não pensar que somos melhores que “eles”, que somos mais politizados, mais educados, mais bonitos e mais espertos.

         Tenho certeza que, se um dia eu morar em outro local que não o Rio Grande, vou chorar o tempo todo ao ouvir uma música gauchesca, vou sentir saudade do churrasco que os meus filhos assam pra mim (porque sou muito preguiçoso para assar eu mesmo!), vou achar os outros Estados muito feios, muito ignorantes, muito “desgauchizados” ou muito “brasileiros” para meu gosto.

         Direto do “Galpão de Estância de Meu Escritório Acarpetado”, mando um “quebra-costelas” a todos os queras deste pago.

         Viu como sou gaúcho?

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