PERDÃO, BRAYAN!

Brayan

 

         Ainda não sei se a emoção é uma boa ou má influência para quem escreve, notadamente quando ela é intensa, muito intensa.

         Escrevo sob o impacto da notícia de que uma criança boliviana de cinco anos de idade foi atingida por um tiro na cabeça, durante um assalto, estando no colo da mãe, chorando.

         Seu nome: Brayan Yanarico Capcha.

         A família seria daquelas que vem para o Brasil em busca de melhores condições de vida em confecções de roupas e que, em geral, só encontram trabalho quase escravo por salários de fome. Apesar de tudo, e talvez mesmo em função desta pobreza, as famílias encontram, uns nos outros, o apoio necessário para acreditar em uma vida melhor.

         E aí, aquele mesmo Estado que permite ou tolera a vinda destas famílias, que não fiscaliza as condições de trabalho e a exploração dos empregadores, simplesmente não oferece nenhuma segurança às muitas crianças que vem com os pais ou nascem aqui.

         A Constituição Federal diz que a segurança é um direito de todos e um dever do Estado. Ora, todos significa brasileiros, estrangeiros legalmente ingressados ou clandestinos. As crianças são, por determinação constitucional e legal,  prioridade absoluta, pouco importa se filhos de pais que estejam regularmente no país ou não.

         O que fez o Estado que gasta bilhões para atividades absolutamente dispensáveis, como campeonatos de futebol que só beneficiam aos clubes privados e outros privilegiados, para proteger Brayan, o menino que chorava de medo, no colo da mãe e que, inocente, ofereceu aos assaltantes as poucas moedas que guardara em seu cofrinho para organizar uma festinha de seu aniversário? Nada.

         O que fez o Estado que perdoa bilhões em dívidas de países estrangeiros dominados por ditadores e saqueados por ladrões piores que os assaltantes que atiram na cabeça de Brayan, para prender os bandidos? Nada.

         O que dizer ao anjinho Brayan que chorava pedindo “no me mate, no mate mi mamá, estoy con miedo”? Que nós não somos aquele país que ele e “sus papás” sonharam como um bom lugar para viver?  Que pedimos perdão por não estarmos interessados em proteger as crianças filhas de estrangeiros pobres, pois nem as nossas estão livres da violência?

         Perdão Brayan, perdão “papás” de Brayan, agora vocês descobriram, da pior forma, que nos somos um país de faz de conta!

         Hoje foi Brayan, amanhã serão Joãos e Clarices, Antonias e Lucas.

         Que país é este, afinal?

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3 Comentários

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3 Respostas para “PERDÃO, BRAYAN!

  1. Telma da Gama

    Brasil condoído,corações doídos.Marginais sem dor,nem piedade diante de um anjo,rogando pela sua vida e a dos pais…Os marginais pagarão…jamais….

  2. Adedeycastro Advogado

    Obrigado pela visita. Concordo contigo. Infelizmente! Abraços

  3. José Nilton

    Parabéns pela iniciativa, todos nós deveríamos fazer igual… pedir perdão, resta saber se existe perdão para tamanha desconsideração para com a vida?
    José Nilton

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