ENGANA-ME QUE EU GOSTO!

         O meu amigo Zé Mané andava meio sestroso, ressabiado, assustado, perdido, sem saber o que dizer acerca dos últimos acontecimentos no Brasil.

Equilibrava-se perigosamente entre o orgulho, que lhe enchia o peito, por ser nosso amado país sede de duas copas de futebol em dois anos seguidos, o que nos coloca sob os holofotes do mundo, e os vídeos mostrando gente morrendo nas filas de hospitais sucateados e mulheres pobres tendo filhos em ambulâncias.

Zé Mané sabe que parte dos recursos foram gastos com obras de infraestrutura viária nos entornos dos estádios de futebol, o que beneficiará a todos os cidadãos, mas,  tomou conhecimento que uma montanha de reais foi utilizada para construir ou modernizar estádios de propriedade de clubes privados que pagam um milhão de reais para jogadores que aparecem muito mais nas páginas policiais, envolvidos com o tráfico,  ou rebolando em bailes, na companhia de “periguetes” carreiristas do que correndo atrás de uma bola.

Ficou sem saber o que dizer quando soube que os ingressos mais baratos custam duzentos reais e que, assim, ele estava fora, pois isso representa um terço do que ele ganha em um mês. Não era para ser uma “festa popular”?

Mas o Estado, através de suas mais altas autoridades, disse que os mais de 30 bilhões gastos para as Copas eram financiamentos que seriam pagos! Ele lembrou que poucos meses atrás os clubes de futebol apresentaram, através de seus aliados de ocasião, um projeto no sentido de “negociar” o pagamento de mais de 4 bilhões que eles têm em dívidas com a Previdência através de um projeto generoso de troca desta bagatela por “projetos sociais” a ser desenvolvidos pelos times!

Ora, pensou o meu amigo, se os clubes não tem 4 bilhões para pagar a Previdência, quando terão 30 bilhões para pagar o BNDES, banco público que financiou as obras dos estádios? Mas eles devem ter algum projeto de pagamento, talvez o “Saint Nunca Day’s”.

O que conforta o judiado coraçãozinho de meu amigo Zé Mané é que isso sempre aconteceu, não sendo culpa deste ou daquele governo, de forma que todos estão absolvidos.

Se todo mundo é culpado, pensa o Zé Mané, ninguém pode ser punido.

Está certo. E salve a Seleção!

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