PRIMOGÊNITO

Ao meu amado filho Ricardo

Quem tem mais de um filho, coisa rara hoje em dia, sabe a tortura e a delícia de tentar avaliar de quem gostar mais.

A sociedade nos cobra nunca admitir que tenha preferência por um ou outro, todos são filhos devem ser amados do mesmo jeito, mas nós sabemos que, mesmo não desprezando um, sempre nos identificamos mais com um do que com outro.

Vencido o constrangimento de admitir que nossa identificação maior com um e menor com outro é um fenômeno natural independente de nossa vontade, e que isto não diminui o nosso amor pelos demais filhos, posso afirmar que meu primeiro filho é especial para mim.

Meu primogênito é especial por ser o primeiro, é claro, mas também porque é aquele que mais se parece comigo e, ao mesmo tempo, é o mais diferente. É aquele que mais proximamente tem possibilidade de assumir as coisas que faço, notadamente como profissional do direito, com quem eu mais discuto, quase sempre perco, mas que mais recebe minhas orientações.

A família, quase que por unanimidade, dirigiu-se para o Direito, de forma que tudo que faço é no sentido de construir uma estrutura que seja mantida por eles, continuada por eles, aumentada e qualificada por eles, mas sempre sob a coordenação do primogênito.

Não apenas por ser o mais velho e, por isto, mais experiente, mas também porque os demais o amam, o admiram e o respeitam. Sua calma aponta com segurança os caminhos a tomar, funcionando como um freio às minhas loucuras.

Ele agora, nas viagens, dirige meu carro. Acho que é muito mais por ter medo do pai “maneta” do que por amor ao volante, mas eu durmo com ele à direção, tal a confiança que nele tenho.

Tendo mais de vinte anos menos que eu, já fez coisas na profissão que eu não tenho ideia nem como começa, cabendo-me apenas dar as tintas iniciais e segurar as pontas.

Eu sou uma espécie de moça com as coxas grossas que fica na beira da estrada mostrando as pernas. Quando o motorista para, o chefe aparece e o motorista não tem como negar a carona. Ou seja, sou uma laranja de amostra.

Desculpa, filho, minha rabugice, meus momentos de falso super herói seguidos de profundas e injustificadas depressões, porque eu te amo.

E quanto a vocês, segundos, terceiros, quartos e quintos filhos, respeitem o Manão.  Ai, ai, ai!

Beijos a todos.

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1 comentário

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Uma resposta para “PRIMOGÊNITO

  1. mérig

    Os outro que nos perdoem, mas o Ricardo é fundamental! Um gentleman, calmo, sério, risonho, querido, nossa, um “amoizinho” que dá gana de morder… Te amo grandão!

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