VIOLÊNCIA CONTRA ANIMAIS

 

         Sabemos todos que sempre houve violência contra animais, por pura maldade dos homens, mas nos dias modernos, com as possibilidades infinitas de registro das cenas e divulgação delas pela internet, ela parece mais real. É como pensar na fome e na morte, que nos choca como ideia, mas nos escandaliza e nos faz chorar quando a vemos a cores e em movimento, em filmes que podem ser vistos milhões de vezes.

         Acabaram de morrer mais de mil pessoas em Bangladesh, que noventa por cento nem sabe onde fica, no desabamento de um prédio onde funcionavam centenas de pequenas fábricas de roupas. Vimos apenas o prédio aos escombros e algumas poucas pessoas de lá sendo retiradas, mortas. Chocou, sem dúvida, mas pouco se viu a respeito nas redes sociais.

Mas nós todos estamos mais chocados ainda com as cenas em movimento de uma criança e uma mãe com um bebê no colo chutando um cãozinho, em Porto Alegre. São milhares os compartilhamentos do vídeo nas redes sociais e os xingamentos são terríveis, diga-se de passagem, todos merecidos.

Alguns, de forma simplista, dizem que preferem os animais aos homens. Outros, de forma mais reducionista ainda, dizem que deveríamos adotar uma criança em vez de um cachorro.

Eu, de minha parte, acho que devemos adotar crianças e cachorros, amar os bichos e as pessoas, defender os seres vivos e tudo aquilo que, mesmo sendo inanimado, faz parte de nosso ambiente, como os prédios, as praças e os monumentos.

Thomas Merton disse que “homem algum é um ilha”, pois vivemos cercados de coisas vivas e inanimadas, seres pensantes e irracionais, objetos que se movem por si mesmo e pedras, edifícios, ou seja, vida, nas suas mais diversas formas.

A mim choca profundamente, contudo, qualquer tipo de violência física ou psicológica às crianças, idosos e pequenos animais, seres tão frágeis que não possuem as mínimas condições de defesa. Acho uma covardia atacar quem não pode se defender. Porque os agressores de crianças, idosos e pequenos animais não tentar agredir adultos sadios e dotados de força física ou um urso, um tigre ou um leão? Porque lhe falta coragem e sobra canalhice, prepotência e soberba, falta de consciência e respeito à vida.

O pior de todos estes episódios de violências contra animais, previsto como crime no artigo 32 da Lei Federal número 9605/98 é que resulta em pena de detenção de três meses a um ano e multa. Como é considerado delito de menor potencial ofensivo aplicam-se a ele as disposições da Lei Federal 9.099/95, e o resultado é uma transação penal de, talvez, uma cesta básica!

Sabem o que aconteceu ao idoso que anos atrás amarrou um cachorro no para-choque traseiro de um carro e saiu por ai, arrastando-o? Aceitou pagar uma transação penal de R$ 2.000,00, não pagou e o processo foi extinto, pura e simplesmente. O Estado não executou esta pena por não compensar a despesa e, mesmo que tivesse executado, o réu não tinha bens para penhorar. Assim, ficou tudo por isto mesmo.

Lamentável o fato e mais ainda a falta de punição.

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