TREM ROSA

            Alguns dirão que minha manifestação é preconceituosa e que eu estou defendendo o direito dos homens safados e desrespeitosos, mas quem me conhece sabe que abomino qualquer violência e advogo a integração entre os gêneros, reconhecendo-se as saudáveis diferenças.

            Corre na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul um projeto de lei que visa criar horários de trem metropolitano, o chamado Trensurb, em que só seriam admitidas mulheres, em razão de noticiados assédios sexuais e desrespeito que alguns homens cometem nos trens, principalmente nos momentos de maior movimento.

            Alguns canalhas encostam-se às mulheres sem que sejam incentivados, fungam seu hálito de cachaça no pescoço delas, dizem piadinhas grosseiras, sem que se conheça, graças a Deus, nenhum caso de agressão física ou sexual.

            Tudo bem que não haveria uma separação por sexo em todos os horários, apenas dois ou três, estando os autores do projeto absolutamente bem intencionados, mas totalmente equivocados na forma de solucionar um problema existente, grave e que merece a atenção da sociedade e das autoridades.

            Com o devido respeito, não acho que a criação de espaços exclusivos para mulheres seja uma forma civilizada de encaminhar uma solução para a canalhice, a falta de respeito e dignidade com que alguns homens tratam as mulheres.

            Mesmo que seja uma utopia, a educação dos homens, com eventuais e sérias punições aos transgressores de normas sociais de convivência civilizada e de regras legais tendem, mais apropriadamente, a criar um ambiente sadio em todos os espaços públicos, não apenas nos serviços de transporte coletivo.

            Ninguém desconhece que ocorrem abusos verbais e físicos às mulheres no interior das casas das melhores famílias, nas escolas, nas repartições públicas, nas lojas, nos campos e até nas instituições que tem na disciplina a base de controle dos seus componentes.

            Com a criação de dois ou três horários exclusivos para as mulheres ficariam as autoridades liberadas de fiscalizar para que abusos não ocorram nos demais horários e linhas? E as mulheres que não puderem tomar o trem rosa, podem ser assediadas, sem punição? Se sabemos que cerca de cinquenta por cento dos passageiros são mulheres, será que dois ou três horários serão suficientes?

            E as crianças, os jovens, os idosos, os homossexuais, os negros, os índios e outras chamadas “minorias”, também terão um trem exclusivo? Nas escolas e repartições públicas também criaremos espaços exclusivos para as mulheres?

            Está-se pensando, na verdade, em criar-se guetos no transporte, como forma mais cômoda de resolver um problema que só cresce porque nós achamos que as mulheres são culpadas das agressões, “quem manda ser gostosa?”.

            Amo e respeito as mulheres e, mesmo quando não concordo com elas, não as agrido. Se eu fosse mulher me negaria a tomar um meio de transporte  que mais parece um  trem para a insensatez.

            A tolerância e não a segregação, o respeito e não a separação, o amor e não o ódio, a dignidade e não a discriminação, é o que defendo.

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