ÉTICA

 

            Tenho sido convidado a palestrar, aqui e ali, sobre ética nas relações profissionais e interpessoais, e acho que não me saio assim tão mal. Pergunto-me porque é relativamente fácil falar sobre um assunto que a princípio deveria ser reservado aos filósofos.  Meus amigos puxa-sacos me dizem que eu sou, do meu jeito torto, um filósofo. Então tá!

            Não tenho formação acadêmica de filósofo, e devo dizer tantas bobagens nesta área que espero que ninguém tenha gravado ou filmado, de forma que não exista prova do crime.

            Mas, penso, e me corrijam os verdadeiros filósofos, que falar sobre ética é apenas ser sincero, honesto e transparente. Eu digo o que penso sobre o que aprendi ao longo de quase seis décadas de observação da sociedade. Nos poucos eventos sociais a que compareço  olho as pessoas, anoto mentalmente suas ações e reações e tento imaginar porque agem desta ou daquela forma. No fundo, eu não passo de um fofoqueiro, apenas não conto os nomes verdadeiros dos personagens, para não constrangê-las, o que, de certa forma, me absolve.

            Voltando ao tema, ética nada mais é do que um conjunto de valores morais e pessoais que aplicamos às nossas atividades do dia a dia. Normalmente achamos que ser ético é ser correto e justo, mas estes são apenas valores de pessoas corretas e justas, uma vez que os maus, os injustos e os bandidos também tem um conjunto de valores, tortos, na verdade, mas valores. Assim, quando alguém diz que ser corrupto é normal, entenda isto como a ética do crime.

            Na verdade, ética é uma palavra muito bonita e significativa para que a concedamos aos maus, aos criminosos. Reservemo-la para os honestos, os sinceros, os fiéis, os verdadeiros, os educados, os esforçados e os bons, que estes são poucos e devem ser valorizados.

            Ser ético é ter consciência de que temos condições materiais e pessoais de fazer ou não fazer alguma coisa e, em vista de nossa consciência de justo e correto, decidir por fazer ou não fazer para realizar a coisa certa. Ou seja, eu posso fazer, não estou proibido de fazê-lo mas escolho não fazer para não prejudicar o outro.

            Todos nós cometemos erros, o tempo todo, mas alguns de nós somos éticos o suficiente para admiti-los e tentar, sinceramente, não repeti-los. E sofremos, internamente, com os nossos erros. E nos envergonhamos, sincera e profundamente, dos nossos erros. Sempre estamos a procurar revisar nossos atos e nunca fugir das nossas responsabilidades pelos nossos erros.

            Pessoalmente, acho uma bobagem dizer que nunca me arrependi de nada que fiz. Quanta coisa errada eu fiz ao longo desta pobre vida que vivi e vivo! Arrependo-me também de coisas que não fiz, mas fazer o quê? Fiz o que não devia e não fiz o que devia. Desde que fizermos ou não fizermos alguma coisa de forma honesta e sempre pensando em não prejudicar quem não merece, Deus nos absolverá, mesmo que os homens nos condenem.

            Talvez seja por ser sincero que as pessoas achem que sou ético. Vai saber!

 

 

 

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