VINTE VIDAS INOCENTES

 

                Está se tornando tão rotineiro a matança de inocentes em massacres em escolas, shoppings, cinemas e outros locais públicos que imaginávamos seguros, que impressiona que ainda existam pessoas que chorem por isto. Porque as pessoas choram depois do massacre e não antes? Porque passado o choque ninguém mais fala no assunto, até que outro massacre ocorra?

                Temos uma tendência patológica de fugir dos problemas, jogá-los para debaixo do tapete ou na lata de lixo, esquecendo que ele continua existindo, independente de nossa indiferença.

            Cada vez que algum delito grave ocorre é impressionante o número de pessoas que voltam a defender, como a solução do problema, que a população ande armada, como se ela estivesse preparada para usar a arma.

                Respeito os que pensam o contrário, mas é evidente que um dos grandes problemas sociais é exatamente a facilidade com que pessoas comuns têm acesso às armas de fogo. Meia dúzia destas tem preparo para manusear a arma e para decidir, com acerto, o momento adequado de usá-las, e o resto está mais apavorada que o bandido. Se este não lhe tomar a arma para cometer outros crimes, ela ficará numa gaveta ou armário até que um adolescente curioso a pegue e a dispare, contra outro adolescente, gerando outra tragédia.

                Odeio armas, amo a vida!

                O último episódio envolvendo o uso de armas compradas livre e legalmente nos Estados Unidos despertou protestos de quem é contra a venda de armas para cidadãos comuns e, por outro lado, sem dúvida, a certeza de alguns de que se as vítimas estivessem armadas não teriam sido abatidas tão facilmente. Ou seja, em vez de desarmar as pessoas para evitar os delitos, o certo seria armar todo mundo e esperar pelo fim da humanidade. Vence quem tiver mais balas na agulha!

           Pagamos cada vez mais tributos e desistimos de exigir do Estado que nos proteja, tomando em nossas próprias mãos despreparadas a segurança. A tragédia anunciada é a destruição da sociedade. Mas, quem se importa?

                Não se trata de entregar-se à imolação como um cordeiro, em facilitar a vida do criminoso, mas de admitir que não estamos preparados para usar armas. Mesmo que estivéssemos, estaríamos criando uma sociedade mais belicosa e violenta do que já é, que desiste de combater o criminoso e torna um deles.

                Há tanta corrupção no serviço público, tanto desvio de recursos públicos! Basta combater a corrupção antecipadamente e não depois que ocorre que dinheiro haveria para melhorar as condições de segurança, liberando a sociedade da contingência de imaginar-se responsável direta por sua própria segurança. Para quê existe o Estado, afinal? Quem é o Estado senão uma instituição que existe porque nós a criamos e demos a ela a função de defender nossos interesses?

                Por mais que me emocione com as notícias de mortes de crianças e jovens inocentes, acho uma canalhice os governantes virem à televisão chorar e prometer rezar por elas. Parem de chorar e tomem providências, pô! Vocês tem poder, recursos militares e muita grana para invadir países e não conseguem desarmar estes malucos? Palhaçada, puro interesse político eleitoral.

               Enquanto Obama e outros canalhas choram na TV, as crianças continuam sendo assassinadas, abatidas às dezenas, como moscas.

                    Que Deus castigue os governantes, já que o céu não mais os espera.

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1 comentário

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Uma resposta para “VINTE VIDAS INOCENTES

  1. Toquinho Fraga - Formigueiro

    Muito já se falou sobre a dominação da industria armamentista americana em relação ao “equilíbrio” financeiro lá deles. Pois o que eu ouço e leio leva-me a crer que JAMAIS o lobby das armas será vencido. Por que? Não porque um ou outro governante foi eleito. Não porque um ou outro partido está no poder. Simplesmente porque o homem existe e a ganancia é inata. O poder econômico é o maior dos quatro poderes. Até se pode (e devemos) resistir a este estado de coisas. Até podemos atribuir a culpa ao outro. Mas a maioria, se pudesse se imporia através do dinheiro. Tudo isso prá dizer doutor: HOJE É SEGUNDA-FEIRA ! Temos muito o que fazer por este mundo. Minha trilha sonora da semana já começa com Gaúcho da Fronteira: “Campos desertos que não geram pão, onde a ganância anda de rédea solta”. Boa semana Professor!

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