A MÚSICA GAÚCHA PRECISA SUBIR?

 

         Em razão da Semana Farroupilha tenho ouvido discussões acerca das razões da música gaúcha, esta nativista e que fala dos costumes e tradições de nosso Estado, não subir em direção a outros Estados da Federação, ficando restrita ao Rio Grande do Sul e a alguns Estados do Sul.

Uns dizem que a principal razão é que trata de temas muito regionais, específicos do nosso Estado, sendo mais provável que alcance Argentina e Uruguai do que o resto do país. Outros acham que o motivo é que estamos muito longe do mercado consumidor de Rio de Janeiro e São Paulo.

Todos sabemos que São Paulo é o Estado da Federação que mais abriga migrantes nordestinos, o que torna mais natural o sucesso das músicas e costumes daquela região do que as gauchescas. E São Paulo é um mercado economicamente forte.

Alguns advogam mudanças nas nossas músicas para que se tornem menos regionais e mais nacionais, como forma de vendê-las no centro do país. Nada contra, mas não acho que isto seja obrigatório porque talvez não queiramos isto!

Assim, a pergunta não deve ser a de porque a música gaúcha não sobe, mas se a música gaúcha deve subir e se queremos que ela suba.

Não vejo mal que a música gaúcha seja consumida em todo o país, mas também não acho que isto seja uma necessidade absoluta. Todos temos hábitos e costumes que podem e devem ficar restritos às nossas casas e as nossas relações interpessoais, até como forma de controlar a sua existência.

O objetivo da música gauchesca, esta que fala das coisas e dos costumes próprios de uma população rural, que utiliza instrumentos próprios ou já adaptados há séculos aos nossos hábitos, que se parecem mais com a manifestação de um sentimento e menos com o desejo de vender discos e aparecer na televisão do resto do país, é exatamente não ser de todos, mas de alguns.

Não somos melhores que outros brasileiros, mas decisivamente somos  diferentes. Também os nordestinos tem uma cultura própria, não havendo mal que ela não seja adotada por pessoas que não tenham ligações com aquela região.

O que engrandece o Brasil não é a ideia de que somos iguais, mas exatamente a consciência de diversidade. A tolerância aos costumes alheios é uma demonstração de civilidade.

Desta forma, porque deveria a música regional ser nacional? Só por interesses econômicos?  Será que queremos ser “momentistas e circunstanciais”, como canta João de Almeida Neto? Não acho que valha a pena corromper a alma campeira para vender discos e nem temos o direito de impor nossa cultura.

Não estamos limitando  a cultura, mas apenas reconhecendo que cada um pensa de forma diferente, e isto é muito bom.

Vamos ter orgulho de nossa música gaúcha, sem desprezar outros ritmos que são cultivados em outras regiões.

Somos todos brasileiros.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s