MINHA CONSCIÊNCIA POR UM MINISTÉRIO

Na peça teatral Ricardo III, de William Shakespeare,  o monarca, após perder seu cavalo em plena luta, grita para que todos ouçam: “Meu reino por um cavalo”. A exclamação desesperada demonstra que estava disposto a entregar o reino, símbolo de poder absoluto, em troca de uma montaria que pudesse lhe garantir a vitória.

É bom quando a gente se dispõe a fazer sacrifícios em nome daquilo em que acredita, mas também não podemos vender a alma e a nossa consciência para conseguir, sendo preferível perder. Ou seja, escolher morrer lutando ao invés de viver ajoelhado.

Faço estas reflexões que certamente receberão alguns aplausos e inúmeras críticas, em razão do episódio que envolve a Senadora Marta Suplicy que sempre mereceu meu respeito por ser uma mulher de luta.

Lutou desesperadamente para ser candidata a Prefeita de São Paulo, mas como Dilma e Lula queriam outro candidato, partiu para críticas pesadas contra ele, até ser “convencida” a capitular mediante o argumento fisiológico de ganhar uma carguinho de Ministra da Cultura, sendo hoje a mais aguerrida “cabo eleitoral” do candidato oficial.

Fiasco.

É claro que o candidato de Dilma jura, de pés juntos e olhar angelical voltado para o céu, que não houve troca, pois a “presidente não é dada a isto!”. Está bom, me engana que eu gosto.

Todos sabem que governar é dividir poder e ninguém ganha uma eleição brigando com os parceiros de partido. Entendo, todavia, que deve haver alguns limites éticos que não podem ser ultrapassados, sob pena de enterrar de vez a já escassa credibilidade da classe política.

Eu me pergunto, sendo o idiota que sou, se a Senadora mentia quando desancava Fernando Haddad (aquele dos fiascos reiterados do Enem) ou mente agora quando tece elogios a ele!

Eles acham que somos um bando de imbecis, iletrados, inconscientes e vendidos como eles. Talvez eles tenham razão, mas eu, pessoal e solitariamente, me nego a calar. Afinal, todo mundo já sabe que sou boca braba, como diz o João de Almeida Neto, pois prefiro ser assim a não ter boca pra nada.

A consciência de alguns políticos é uma mercadoria em liquidação, a ser trocada por meia dúzia de reais e um naco de poder.

Triste.

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