SALÁRIO PÚBLICO E TRANSPARÊNCIA

 

         O comportamento mais recomendável seria eu ficar quieto acerca deste assunto, mas quem diz que eu consigo? Fui servidor público por trinta anos e neste período nunca se falou em publicar na internet o salário dos servidores públicos, o que tem ocorrido agora com insistência.

         Aqueles que são contrários à divulgação de nomes e salários alegam que isto colocaria em risco a intimidade e a segurança do servidor, com o que não concordo. Veja-se que se trata de recursos públicos os utilizados no pagamento de servidores, de forma que a sociedade tem o direito de saber quanto ganhamos. Por outro lado, se eu moro em uma boa casa e ando com um carro de alto preço, além de manter meus filhos num bom colégio, todo mundo já sabe que o meu salário não é baixo. A não ser que eu ganhe um salário mínimo por mês e viva como a Rosane Collor, reclamando que ganho pouco!

         O uso que fazemos dos recursos públicos que recebemos como salários é que é de foro íntimo, e mesmo assim temos de prestar contas à Receita todos os anos, protegidos por um sigilo fiscal que  não é e não pode ser absoluto. Esta prestação de contas ao Fisco ocorre até mesmo quando exercemos atividades privadas, recebendo recursos financeiros de particulares. Porque o recebimento de recursos públicos estaria protegido pelo sigilo absoluto?

         A partir do momento em que todos souberem quanto cada servidor público ganha, estabelecer-se-á uma relação honesta entre quem paga e quem recebe, de forma que o empregador, que é o público, poderá exigir mais de quem ganha mais e providenciar para que aquele que ganhe menos seja mais valorizado. Também esta providência reduzirá aquela choradeira de alguns que sabemos ganhar muito bem e que se apresentam como coitadinhos, pedindo mais e mais.

         Alguém por aí chegou a defender a esdruxula ideia de que se a população que paga quer saber quanto ganha um servidor público, deveria revelar quanto ganha também! Servidor público serve ao público, não se serve do público. Quem tem obrigação de prestar contas do que faz e de quanto ganha somos nós, não a população que paga. Cada uma!

         É claro que também aqueles que ganham muito e não fazem nada vão ter de tomar alguma providência: ou trabalham mais ou pedem as contas. Mas, isto é um sonho!

         Eu, pessoalmente, não tenho vergonha da remuneração que recebo, agora como aposentadoria, porque acho que ela é justa.  Sei que alguns não concordam, mas entendo que fiz por merecer, trabalhei muito por trinta anos, nunca fugi do trabalho, sempre encarei os riscos da profissão com naturalidade.

         Tenho consciência de que pertenço a uma minoria salarial e que devemos lutar não para reduzir os maiores salários, mas para aumentar os menores, por mais que isto pareça impossível. Na medida em que o servidor público cumpre com coragem e dedicação suas funções, seu salário será sempre justo.

         Não tenhamos medo da verdade, mas da mentira.

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