A ARMA OU A VIDA – republicação

João Marcos Adede y Castro
O tema do desarmamento desperta paixões de quem gosta de armas e de quem as odeia, como eu.
Sei que vou alertar meus inimigos (bobagem, todo mundo me ama!) de que ando sem armas e não as tenho em casa.
Em quase trinta anos como Promotor de Justiça durante menos de um ano tive comigo uma arma de fogo, dei uns cinco ou seis tiros e não gostei. Desfiz-me dela.
Algumas pessoas dizem que não preciso de armas porque estou protegido pelo cargo, o que, me perdoem, é uma rematada bobagem. Cargos ou títulos não aparam balas e lâminas, posso garantir!
As pessoas que defendem o uso de armas alegam que “o governo deve desarmar o ladrão, não o cidadão”, em um discurso torto e reducionista, que facilita a argumentação dos armamentistas, mas não é retrato da realidade.
Primeiro, porque o Estado não está tomando armas de cidadãos honestos, apenas incentivando-os a, anonimamente e mediante indenização, entregar suas armas.
Segundo, porque nós, cidadãos honestos, não estamos preparados para usar uma arma, quase sempre enferrujada e escondida no alto de um armário.
Terceiro, porque a campanha de desarmamento não exclui os ladrões, ao contrário, procura retirar hoje das mãos deles as armas que ontem estavam nas mãos dos cidadãos e que foram furtadas.
Quando você compra uma arma não está aumentando sua segurança, apenas criando todas as condições para que o ladrão a tome e use contra você!
Isto sem falar nos milhares de acidentes domésticos com armas manuseadas por pessoas absolutamente honestas, mas totalmente despreparadas para manuseá-las.
Guardadas as devidas proporções, é como ter um tigre “domesticado” dentro de casa.
Ele é lindo, fofinho e muito carinhoso. Até que um dia ele engole você!
As maiores vítimas das armas não são os criminosos, e sim os cidadãos honestos que as compraram.
Não podemos abdicar de nosso direito de exigir do Estado que nos dê segurança pública, nos livrando da tarefa para a qual não estamos preparados.
Afinal, por que pagamos tantos impostos, se na hora em que precisamos de segurança temos de comprar uma arma e correr o risco de morrer com ela?
Arma é morte, prefira a vida.

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