ESCÂNDALOS NO BRASIL: QUASE NORMAL

 

            A banalização de escândalos envolvendo certas autoridades brasileiras, respingando até mesmo naquelas insuspeitas até ontem e que tem a função constitucional de servir de fiel da frágil balança dos três poderes da República está virando coisa normal, ou quase normal.

            Até mesmo quando se pensa em escrever alguma coisa atual, o único assunto óbvio é a corrupção. Todo mundo fala nela, passa todo dia na televisão, lê-se sobre ela nos jornais  até que nos cansamos e achamos que não tem jeito.

            A institucionalização da corrupção é o grande risco de hoje, e a certeza de que os órgãos públicos encarregados de investigar e de punir estão tão ou mais envolvidos assusta.

            Podemos tentar escrever uns versos sobre o amor, a natureza e nossos sonhos, mas eles estão comprometidos pela lama que corre a céu aberto, sob nossos pés, ameaçando nos afogar.

            Neste caldo, surgem ideias de voto nulo, voto em branco ou o pior, voto nos maus, para ver no que dá. Daqueles de quem menos se espera, de repente pode vir algo de bom.

            O fato é que estamos perdidos, não sabemos em que mais acreditar.

            Sei que pode parecer injusto, mas tudo isto é a nossa cara, o resultado de 500 anos de “jeitinho brasileiro”, de espertezas socialmente aceitas, de verdades por metade, mentiras por inteiro.

            Mas, segundo a propaganda oficial, vamos fazer a melhor Copa do Mundo de todos os tempos. Eu não duvido, pois dos 27 bilhões de reais previstos para as obras públicas da Copa já foram consumidos 19,7 bilhões e apenas 5% das obras estão prontas!

            Ou seja, a questão é saber quanto vai custar para os cofres públicos a Copa. Eu aposto 200 bilhões, uma bagatela! Talvez eu não tenha tudo isto na minha conta bancária, mas estou bem pertinho disto.  Cobrem-me depois da Copa.

            Com esta fartura de dinheiro para tudo, tenho certeza, e o meu amigo Zé Mané também, que as condições de saúde da população vão melhorar, as escolas serão reformadas e a estradas serão transformadas em tapetes (de notas de real).

Não haverá mais fome, que isto é coisa de país pobre, o que não somos e, com a aprovação da proposta de emenda constitucional de que a busca da felicidade é um direito do cidadão tudo estará resolvido. Seremos felizes de forma constitucional.

            Ô, Adede, homem de pouca fé!

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