VOLTAR PARA CASA

 

Quando a gente briga com a mulher amada e sai de casa, a gente não volta.

A gente não volta não porque não a ame mais, mas porque o amor é tão grande que não suportamos viver perto dela sem que ela nos queira.

Assim, ou o amor é por inteiro e a gente o vive com intensidade absoluta, ou o melhor é ficar longe.

Sofrendo, mas de longe!

É a única forma de encontrar um novo amor, ou, pelo menos, um consolo para o amor verdadeiro perdido.

É por isto que não quero um escritório naquela região onde fica localizado o Ministério Público.

Seria mais racional alugar ou adquirir uma sala ali, facilitaria os deslocamentos para as audiências, permitiria a convivência com colegas Promotores de Justiça em atividade e aqueles queridos estagiários que olham para mim, sem justificativa, com olhos de veneração, com Magistrados e outros advogados e, dizem, os imóveis vão explodir de preço em pouco tempo. Quem adquirir um escritório  ali estará fazendo um grande investimento, porque ali é o Centro Jurídico da cidade.

Mas, eu não quero fazer um bom investimento econômico. Quero, na verdade, lamber minhas feridas, curá-las e dar ao meu coração a oportunidade de  encontrar um novo e arrebatador amor. Mesmo que eu saiba, de antemão, que não vá conseguir.

Assim, ou vou para o centro da cidade, ou fico onde estou, no meio do mato, solitário e amargurado.

Que eu vou fazer no centro? Viver outra realidade, falar com as pessoas, tomar um cafezinho no meio da tarde em um bar cheio de gente, olhar o movimento e, se sobrar tempo, advogar.

Posso ainda frequentar as livrarias, uma das minhas paixões, conversar com gente diferente e tentar, sem sucesso, provar para elas que sou “menos pior” do que sempre pareci.

Poucas pessoas conhecem o verdadeiro Adede y Castro, porque o que lhe foi vendido pela mídia local é um rabugento, de cara fechada, sempre reclamando de tudo. Sou isto, mas também sou outro, que os meus poucos mas sinceros amigos e os familiares conhecem.

Talvez eu me arrependa, mas é isto que quero agora.

E é isto que eu vou fazer.

Depois a gente vê se vai dar certo.

Mas, para o Centro Jurídico eu só volto à força.

Ainda dói muito.

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