SÍMBOLOS


         Não sou uma pessoa a quem se possa chamar “religiosa”, aí entendida aquela que frequenta igrejas. Mas, sem dúvida, acredito em Deus.

Não posso, de forma absolutamente honesta, dizer como é o meu Deus, se tem a imagem que a Bíblia faz dele ou a que aparece nas igrejas.

Não tenho certeza, por outro lado, que Deus deva ter uma imagem física. Afinal, ou acreditamos na ideia de Deus ou não, sendo desnecessário materializar o que é só espírito.

Ao materializar Deus em imagens e santos em estátuas, as igrejas estão prestando um belo serviço à descrença, aquela que só acredita no que vê e pode tocar.

Viver nos prepara para a vida e nos faz acreditar, de forma natural, na existência de um ser superior, que é Deus, e isto deveria bastar.

Mas, como na prática não basta, criam-se imagens e hábitos que tem uma função, mas que nos aprisiona a costumes que no mais das vezes não entendemos.

Compreendo e aceito que não se coma carne vermelha na sexta-feira santa, como uma forma de lembrar o sangue que Cristo derramou por nós, mas não compreendo que isto possa ser considerado um pecado.

Desta forma, comer peixe é legal, como uma forma de homenagem e lembrança, mas comer carne não é um pecado, não deve nos levar a sofrer caso tenhamos descumprido a tradição.

Sim, não comer carne na sexta-feira santa é apenas uma tradição, respeitável sob todos os aspectos, mas comer carne vermelha não é um pecado.

Pecar é desamar, é odiar, é invejar, é atuar para derrubar ou menosprezar o outro, é matar o sonho alheio ou derramar seu sangue por egoísmo.

A imensa maioria dos que não comem carne vermelha na sexta-feira santa não sabem por que, ou talvez tenham apenas uma ideia vaga das razões deste ato.

O grande problema de seguir dogmas de forma cega e sem discuti-los está em aceitar tudo com passividade, o que pode nos levar a acatar teses absurdas que podem ser prejudiciais a nós mesmos e à sociedade.

Respeito às tradições e sigo os costumes com os quais eu concordo, assim como faço coisas que outras pessoas não fazem porque eu acredito nelas. Mas, me nego a cultuar crenças que não me convencem.

Se todo mundo está comendo peixe na sexta-feira santa, tudo bem, eu também como, mas eu sei, ou acho que sei, porque estamos fazendo isto.

Consciência é o primeiro passo para a liberdade.

E, da liberdade, eu não abro mão.

 

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