SEÇÃO: lixo?


Neste momento eu deveria estar escrevendo minha tese de doutorado, mas como ela não está assim tão atrasada, resolvi falar sobre um livro que acabei de ler.

Sem nenhuma modéstia, tenho uma boa biblioteca. Não sei se os títulos são daqueles que despertariam a inveja de um grande conhecedor de literatura, mas acho que tenho muita coisa boa.

A princípio dividi geograficamente os livros nas prateleiras em literatura internacional, literatura latino-americana e literatura nacional, sem grandes métodos.

Na minha cabeça, como já devo ter lido mais de noventa por cento do que comprei, classifico as obras em excepcionais, ótimas, boas e razoáveis. Para não correr o risco de ver os livros que escrevi colocados na última categoria, mantenho-os separados de todos. Esperto, não?

Vejam que não tenho nenhum livro que eu considere ruim. O fato da gente não gostar de um livro não significa que ele não preste, porque cada obra tem um estilo e uma finalidade diferente, de forma que até mesmo aqueles destinados ao puro entretenimento tem o seu valor.

Apesar de não ter nem um livro na categoria ruim, acabei de ler O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, um escritor norte-americano morto em 2010, muito conhecido e respeitado, e que no Brasil já está na 17ª edição.

Olha, eu nunca desisto da leitura de nada, mas lutei desesperadamente até as últimas folhas para não jogar o livro no lixo do banheiro, para evitar que alguém desavisado o juntasse.

As últimas folhas eu li “na diagonal”, apenas para descobrir se a estória tinha algum sentido, e não encontrei nada. Parece que o narrador estava contando sua vida a um psicanalista. Quase que ele me faz consultar um!

Se alguém, menos burro que eu, leu o livro e viu algum sentido nele, por favor, estou à disposição para conversar. É uma estória sem pé nem cabeça de um jovem rico que não se adapta a nenhuma escola, de onde é expulso o tempo todo, não consegue saber o que quer nem para onde vai.

Talvez a ideia do autor tenha sido exatamente esta: escrever uma estória sem sentido sobre uma geração sem sentido, sem noção de nada, sem projetos de vida, sem futuro.

Certamente que esta crítica não faz nenhuma diferença para o autor, mas não entendo como uma coisa medonha como esta pode vender tanto.

Vou procurar ler outros livros do mesmo autor. Talvez eu o compreenda e apague esta crônica.

Mas, por enquanto, o livro só não vai para o lixo do banheiro porque acho criminoso jogar fora qualquer coisa que se escreve, mas ele vai ficar no limbo, aquela faixa entre o inferno e o céu, pendendo perigosamente para o primeiro.

Mais ou menos como este texto. Mas eu não sou o J. D. Salinger, sou apenas um escritor de província.

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