ABRACE O AUTOR

João Marcos Adede y Castro

 

         Alguns amigos dizem que sou carente, que vivo pedindo atenção e carinho, o que não é totalmente verdade, mas também não é uma mentira absoluta.

         Mas, é certo, que quem escreve quer ser lido, comentado e valorizado.   Como se valoriza o autor?

         Muitos acham que é comprando seus livros, dando a eles a chance de receber alguns trocados como direito autoral, o que não está muito longe da verdade.  No entanto, dá para contar nos dedos de uma das mãos os autores que vivem de direitos autorais ou da venda direta de livros.

         A esmagadora maioria escreve por prazer, como uma forma de expor seus conhecimentos científicos, de compartilhar seus sentimentos.

         O lançamento de um livro é como o nascimento de um filho, oportunidade em que esperamos receber os amigos para comemorar tão importante evento.

         Nesta festa de “lamber a cria”, recebemos nossos amigos, a maioria, e alguns desconhecidos que ouviram falar e que vieram conferir.

         Mesmo que o autor viva em um mundo capitalista que exige grana para pagar o aluguel, a água a luz e os impostos (estes, meu Deus!), para vestir a roupa que usa no lançamento, vender livros não é o seu sonho, mas escrevê-los.

         Escrever significa expor ideias e sentimentos e mais, expor-se às críticas. Claro que críticas boas são fáceis de receber, o complicado são aquelas que mostram nossos defeitos, falsos e verdadeiros, mas, fazer o quê? Meteu a cara em público, corre o risco de levar tapa!

         Tudo que o autor quer, no lançamento e depois dele, é ser abraçado, ser pessoalmente valorizado, ser visto e ser lembrado. Sei que alguns escrevem e jogam seus escritos nas gavetas, mas, sinceramente, não estou entre estes.

         Assim, na próxima feira do livro que acontecer em sua cidade, procure tomar conhecimento dos lançamentos, entre na fila e dê um abraço ou aperte a mão do autor, mesmo que você não o conheça. Ele vai ficar feliz.

         Se você é filósofo e um estranho estiver lançando um livro de física quântica, vá lá assim mesmo. Nunca se sabe quando vamos necessitar conhecer alguma coisa acerca da matéria.

         Mesmo que você nunca use o livro que comprou, a cultura agradece.

         E o coraçãozinho carente do autor também.

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