CARNAVAL E FUTEBOL: QUEM PAGA?

João Marcos Adede y Castro

            Dizem que o Brasil tem duas paixões: futebol e carnaval.

            Eu gostaria, mas isto fica só no desejo, de acrescentar nesta lista a educação, mas como diz uma música “shopping’s lotados, bibliotecas vazias”.

            Não tenho nada contra, pois “a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão, balé”, a gente precisa de diversão, senão ninguém segura este rojão.

            Bueno, mas a pergunta não é esta, mas  “quem paga”?

            O futebol e o carnaval são atividades privadas, organizadas por clubes e entidades carnavalescas, o primeiro desenvolvido com pagamento de salários aos atletas.

            Os clubes de futebol e as escolas de samba são sociedades civis, que deveriam ser mantidas com recursos próprios, alcançados por seus sócios e não pela sociedade que não participa, por qualquer motivo, de seu quadro social.

            Não se trata de gostar ou não gostar de futebol e carnaval, mas de discutir se toda a comunidade pode ser compelida a pagar a conta de uma despesa que só beneficia uma parte insignificante de sócios de determinados clubes.

            Interesse público é aquilo que interessa a parcela considerável da comunidade. Vejam que Santa Maria possui quase 250 mil habitantes e cerca de 500 pessoas assistem às partidas de futebol para as quais são colocados recursos públicos. No Estado são cerca de 11 milhões de habitantes e, tanto no estádio do Inter quanto no do Grêmio não cabem mais que 50 mil pessoas.

            Não bastasse esta brutal diferença entre os milhares ou milhões que pagam e a meia dúzia que se beneficia, vejam que o acesso a estes eventos são pagos, transformando o que deveria ser público em privado.

            Como poderia o Poder Público incentivar financeiramente estas atividades que, sabemos, tem importância social  cultural, sem que fosse efetivamente o beneficiamento privado de pessoas ou entidades específicas, escolhidas a dedo pelo administrador?

            A exemplo da lei de incentivo à cultura, que, mal ou bem, traz exigências objetivas que podem ser conhecidas de todos os interessados e que, desde que preenchidas, permitem que todos participem, e não dois ou três, deveria haver, se não há ainda, uma lei de incentivo ao esporte, notadamente ao amador, para eventos abertos à sociedade, sem pagamento de ingressos.

            Os clubes poderiam melhorar sua administração, profissionalizá-la, vender camisetas e outros objetos que cobrissem suas despesas, sem necessidade de eternamente depender dos cofres públicos. E mais, não se metam em campeonatos caríssimos, com viagens para o outro lado do país, às nossas custas, pô!

            Os times de futebol e as escolas de samba têm de aprender a caminhar com as próprias pernas, não com as nossas. As minhas, pelo menos, já estão bem cansadas de suportar o peso dos outros.

            Eu, posso garantir, não peço dinheiro público para atender as minhas necessidades privadas.

            Façam o mesmo, futebolistas e carnavalescos.

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