Eu também tenho um sonho

EU TAMBÉM TENHO UM SONHO
João Marcos Adede y Castro

Sem medo de ser acusado de plágio, uma vez que tudo que é muito bom tem mesmo de ser copiado e repercutido, distribuído, socializado, eu quero dizer que, a exemplo do grande líder da liberdade Martin Luther King, eu também tenho um sonho.
Admito que meu sonho é mais modesto que o de Luther King, este de alcance universal e que, apesar de ter sido proferido no longínquo ano de 1963, continua soando lindamente para os justos e como um pesadelo para os impuros, mas eu também tenho um sonho.
Meu sonho, próprio de quem não tem mais nada para produzir materialmente falando, mas que continua pensando e, teimosamente, divulgando suas ideias como um fanático no deserto da descrença, que nossa sociedade seja justa.
Que nossa sociedade seja justa com as crianças pobres e ricas, brancas, negras, filhas de famílias católicas, evangélicas, atéias, permitindo-lhes igualdade de oportunidades reais, materiais, não apenas teórica, legal, ou formal.
Que a nossa sociedade seja justa com os homens de todas as idades, com as mulheres jovens e idosas, como pessoas que são, aceitando-as como são, abrindo espaços para o desenvolvimento natural de suas habilidades, sem pressões exageradas por sucesso profissional e ganhos financeiros.
Sonho também com uma sociedade tolerante, que respeite as opções sexuais uns dos outros, por mais estranhas que possam parecer, agindo com elas de forma cristã, sem sentimentos de pena ou compaixão, apenas respeito.
Sei que algumas pessoas não sabem aproveitar as oportunidades que lhes surgem ao longo da vida, mas compreendo que talvez as nossas escolhas não sejam as mais adequadas para elas, que aquilo que consideramos certo para nós talvez não sirva para elas.
Sei que o mundo foi e sempre será formado de pessoas diferentes, que pensam e agem diferente, e que isto não deve nos assustar, ao contrário, deve nos estimular a aceitar, observar e aproveitar tudo de bom que no outro existe, por mais diferente que ele seja.
Sonho que a nossa sociedade olhe para as pessoas deficientes, física ou mentalmente, como irmãos com iguais talentos, mesmo que com algumas dificuldades, mas cheios de vida e valores a nos ensinar e, surpresa, muitas vezes muito mais capazes que os ditos capazes.
Sonho com uma sociedade que ame os animais como seres tão importantes quanto os homens, que os proteja, que incentive a convivência com eles e que aprenda a ser tão fiel e amiga quanto eles.
Sonho que as cores das pessoas, que formam um lindo arco íris de paz, seja uma marca de alegria, de oportunidades de aprendizado mútuo, de amor sincero e solidário.
Sonho com países sem fronteiras e sem guerras, sem ódio, sem idiomas diferentes que só servem para nos afastar de pessoas tão interessantes e que a nós estão ligadas pela condição humana.
Sonho que a violência do dia a dia seja, pelo menos, significativamente reduzida, e que a natureza humana de ser bom em essência seja uma constante, uma realidade palpável.
Sonho que nossos governantes trabalhem para nós, por nós, por todos e não por alguns privilegiados.
Sonho que este sonho, um dia, seja real.
(SM, 16/08/11)

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3 Comentários

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3 Respostas para “Eu também tenho um sonho

  1. miriam

    Teu sonho é o de muita gente. Muita gente pensando numa mesma coisa, quem sabe… mas temos que começar por nós mesmos. Parabéns pelo texto.

  2. Mérig Margaret Adede y Castro da Silva

    Mano! Tem um texto de Paulo Freire que representa muito bem na minha profissão o que seja ter um sonho, ou seja, é mais do que um sonho ou desejo pessoal, é uma ideologia:
    “Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo. Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê. Não posso ser professor a favor simplesmente do Homem ou da Humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a concretude da prática educativa. Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda. Sou professor a favor da luta contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura. Sou professora a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza. Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o risco de se amofinar e de já não ser o testemunho que deve ser de lutador pertinaz, que cansa mas não desiste”.
    Te amo. Mérig

  3. Alessandra Algarve

    Mesmo no deserto há vida, por mais escondias que estejam as pessoas que compartilham deste sonho estão por aí e por aqui. Compartilho do mesmo sonho, do mesmo desejo de amor, paz e solidariedade e este mesmo sonho um dia foi pregado pelo filho de Deus vivo. “Amemo-nos uns aos outros, assim como vos amei.” Tenhamos muito amor no coração sempre! Obrigada por compartilhar conosco o teu sonho.

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